SGB publica mapa que identifica áreas sujeitas a inundações em Itaperuna (RJ)
SGB publica mapa que identifica áreas sujeitas a inundações em Itaperuna (RJ)
Desenvolvido no âmbito do Sistema de Alerta Hidrológico, o produto, chamado Mancha de Inundação, visa subsidiar ações da Defesa Civil e o planejamento urbano municipal
São Paulo (SP) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) publicou a delimitação da mancha de inundação do rio Muriaé para a área urbana do município de Itaperuna, no Rio de Janeiro. O estudo foi desenvolvido dentro das ações do Sistema de Alerta Hidrológico da bacia do rio Muriaé (SAH Muriaé) e visa subsidiar ações da Defesa Civil e o planejamento urbano municipal.
Foram produzidos dois mapas. Em um deles, o SGB indica as áreas que podem ser atingidas em 11 diferentes níveis, caso o rio atinja cota entre 4 m (cota de inundação) e 6,25 m (um pouco acima da cota máxima da série histórica). No outro mapa, é indicada a probabilidade de cada área ser inundada ao longo do tempo. Por exemplo, ele mostra locais que podem alagar com mais frequência e outros onde as enchentes são mais raras. Essas informações ajudam a cidade a planejar melhor onde construir casas, escolas, ruas e outros serviços, reduzindo os riscos para a população durante os períodos de cheia dos rios.
De acordo com o pesquisador em geociências Marcos Figueiredo Salviano, o produto atua de forma complementar aos alertas tradicionais. "Enquanto que os Sistemas de Alerta Hidrológicos fornecem as informações de qual será o nível atingido e quando isso ocorrerá, a mancha de inundação responde à pergunta: “até onde a cheia chegará?", explica o pesquisador. Salviano reforça que essa informação é essencial para que os órgãos de Defesa Civil definam planos de contingência, otimizem o atendimento à população atingida e minimizem de forma prática os impactos socioeconômicos dos eventos de inundação.
Etapas para elaboração da mancha de inundação
Para consolidar as manchas cartográficas, o SGB organizou um fluxo integrado de trabalho dividido em três etapas: a geração do Modelo Digital de Elevação (MDE), a geração do Modelo Digital do Terreno (MDT) do canal do rio Muriaé e a modelagem hidrodinâmica.
A primeira fase consistiu na caracterização tridimensional da planície urbana. Por meio de um levantamento aerofotogramétrico (metodologia apoiada pelo uso de drones e VANTs), os técnicos geraram um Modelo Digital de Elevação (MDE) com resolução horizontal de 30 centímetros e vertical inferior a um metro.
Na etapa seguinte, focada no mapeamento do relevo submerso, os técnicos em geociências Bruna da Motta e Vinícius Ramos, juntamente com o pesquisador Ricardo Almeida, realizaram o levantamento topobatimétrico do canal. Utilizando embarcações de pequeno porte, a equipe percorreu 117 seções transversais ao longo do rio Muriaé com o sensor acústico ADCP; posteriormente os dados foram processados para reduzir as incertezas e gerar o produto.
A terceira etapa envolveu a modelagem hidrodinâmica computacional, sob a condução do pesquisador Marcos Salviano. Esse processo compreendeu desde o cálculo da relação entre a cota e a vazão para a estação de monitoramento, passando pelos cálculos das cotas associadas aos tempos de retorno, até a associação dos produtos MDT e MDE, a calibração do coeficiente de rugosidade e as modelagens hidrodinâmicas.
Margarida Regueira
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.br
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