Paulista, em Pernambuco, apresenta diagnóstico inédito sobre áreas de risco em audiência pública
Paulista, em Pernambuco, apresenta diagnóstico inédito sobre áreas de risco em audiência pública
Plano Municipal de Redução de Riscos, desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, identificou mais de 40 mil pessoas em áreas vulneráveis no município
Paulista (PE) - Crescimento urbano acelerado, ocupação de áreas ambientalmente sensíveis e intervenções inadequadas em rios e canais são desafios que fazem parte da realidade de muitas cidades brasileiras. Em Paulista, município pernambucano, esse cenário passa agora a contar com um diagnóstico técnico detalhado e um plano de ação estruturado para reduzir vulnerabilidades e proteger vidas.
Desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades (SNP/MCid), o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) apresentado em audiência pública nesta terça-feira (24/02), identificou mais de 40 mil pessoas em áreas de risco no município. Ao todo, foram mapeadas 174 áreas de risco geológico em Paulista.
“Prevenção de riscos não é uma questão de engenharia, é uma questão de justiça social”, afirmou o secretário Nacional de Periferias do MCid, Guilherme Simões, por meio de participação em vídeo.
Áreas de risco
O levantamento identificou aproximadamente 10.238 imóveis e 40.966 pessoas situadas em áreas classificadas com diferentes graus de risco, sendo estes risco Muito Alto (R4), risco Alto (R3) e risco Médio (R2).
O estudo detalhou que 60 setores, sendo 54 classificados como risco alto e seis como risco médio, estão associados a processos hídricos. Os bairros com maior incidência são Nossa Senhora da Conceição, Jardim Paulista, Pau Amarelo, Maranguape I e II, Fragoso I e II, Engenho Maranguape, Jardim Maranguape e Paratibe.
Outros 114 setores estão associados a deslizamentos, dos quais 64 apresentam risco alto, 43 risco médio e sete risco muito alto, abrangendo principalmente os bairros Torres Galvão, Hermes da Fonseca, Jardim Paulista, Arthur Lundgren I e II, Mirueira e Tabajara.
As áreas de risco cartografadas decorrem, majoritariamente, da combinação entre a ocupação de áreas impróprias para habitação, como as planícies dos rios Timbó e Paratibe e de seus afluentes e as encostas com potencial de deslizamentos, e a implementação de intervenções inadequadas que potencializam os processos, tais como supressão de vegetação das encostas e margens de rios, retificação de canais e aterramento de áreas suscetíveis à inundação.
Manguezais e restingas, ecossistemas sensíveis e fundamentais para o equilíbrio ambiental, também vêm sofrendo pressão da ocupação, aumentando a exposição da população a eventos de inundação e alagamentos.
O PMRR tem como finalidade subsidiar o poder público na definição de áreas prioritárias para ações estruturais e não estruturais de prevenção de desastres. O plano também orienta políticas habitacionais e de saneamento, contribui para a elaboração de planos de contingência, apoia a implantação de sistemas de monitoramento e alerta, direciona as ações da Defesa Civil e fortalece a fiscalização para evitar o avanço da ocupação em áreas de risco.
“Com o estudo elaborado pelo SGB, o município passa a contar com uma base técnica e científica sólida para orientar a tomada de decisão dos gestores públicos e fortalecer ações que salvam vidas. Nosso trabalho tem exatamente esse propósito: ser um instrumento estratégico de prevenção e mitigação de riscos, contribuindo para o desenvolvimento seguro e sustentável das cidades ”, destaca Débora Lamberty, pesquisadora do SGB.
Após a audiência, o PMRR entra na fase de finalização técnica e, posteriormente, será oficialmente entregue ao município do Paulista.
Ana Lúcia Ferreira
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