Painel El Niño: Monitoramento do SGB indica níveis dentro da normalidade na maior parte da Bacia do Amazonas e elevação em rios do Sul

04/11/2026 às 18h17
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O boletim nº 05, publicado na última quinta-feira (29/10), prevê que o fenômeno El Niño deve atingir intensidade muito forte a partir de novembro deste ano


 

Brasília (DF) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresentou as projeções hidrológicas e o panorama atualizado dos níveis dos rios nas regiões Norte e Sul no boletim mensal nº 05 do Painel El Niño [incluir documento anexo]. O documento, publicado na última quinta-feira (29/10), é desenvolvido em parceria com outras seis instituições federais. 

De acordo com o monitoramento do SGB, as condições na Bacia do Amazonas são diferentes dependendo da região, mas na maioria das estações monitoradas, os níveis estão dentro da normalidade para o período. Na Região Sul, o volume elevado de chuvas provoca elevação dos rios. Neste ano, o SGB já emitiu mais de 270 boletins de alerta hidrológico com previsões de níveis e monitoramento para os quatro Sistemas de Alerta Hidrológico operados pelo SGB na região: Guaíba, Taquari, Caí e Uruguai.

As projeções climáticas indicam a continuidade e a intensificação do aquecimento sobre o Pacífico Equatorial nos próximos meses até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027, com intensidade forte a muito forte e diminuição gradativa nos meses subsequentes Até janeiro de 2027, há maior probabilidade de chuvas acima da faixa normal na Região Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, há tendência de chuvas dentro ou abaixo da normal. 

As temperaturas deverão ficar acima da faixa normal em quase todo o país, principalmente no Norte, enquanto o Rio Grande do Sul apresenta tendência de temperaturas abaixo da normal. Essa combinação de temperaturas elevadas e déficit hídrico eleva o risco de queimadas e incêndios florestais na Amazônia, especialmente nos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Mato Grosso e Tocantins.

Cenário nas bacias monitoradas pelo SGB
Região Norte

Segundo informado pelo SGB no boletim, “não há, neste momento, uma condição hidrológica excepcionalmente baixa e generalizada na Amazônia, como nos anos de 2023 e 2024, mas existem áreas específicas, onde a combinação entre condições atuais desfavoráveis e perspectivas de chuva abaixo da média justificam atenção especial”.

Os dados mostram que na bacia do rio Branco há o risco de agravamento das condições de seca, especialmente em Roraima. Isso se deve ao atual cenário que combina níveis baixos dos rios com chuvas abaixo da média, sem previsão meteorológica de volumes acima da média para a recuperação dos níveis. Nas grande calhas dos rios Amazonas/Solimões e Tapajós, as projeções indicam, de modo geral, continuidade da
vazante pouco abaixo da faixa histórica, porém com tendência de estabilização.

No rio Madeira, as condições atuais são relativamente mais favoráveis, embora a recuperação dos níveis também dependa da evolução das chuvas nos próximos meses. Em outubro, as vazões do rio Madeira registraram recuperação, garantindo o funcionamento das usinas de Jirau e Santo Antônio acima dos limites mínimos exigidos para a navegabilidade da hidrovia.

Região Sul

Na região sul do Brasil os níveis têm se mantido elevados, conforme observado nas Bacias do Guaíba e do Uruguai, que abrangem uma extensa área do RS e parte de SC. 

Nas bacias contribuintes do Guaíba, a previsão indica manutenção de níveis elevados.
As bacias dos rios Caí e Taquari registraram uma sequência de episódios de elevação ao longo do mês de setembro, com ocorrência de inundações em diversos pontos monitorados,
principalmente ao longo das calhas principais. 

No rio Taquari, foram observados episódios de inundação nos municípios de Santa Tereza, Muçum, Encantado, Estrela, Lajeado, Bom Retiro do Sul, Porto Mariante e Taquari. No rio Caí, os principais pontos afetados foram São Sebastião do Caí, Montenegro e Capela de Santana. Os rios Jacuí, Sinos e Gravataí também apresentaram níveis elevados ao longo do último mês. No Guaíba, na estação Usina do Gasômetro, os níveis chegaram próximo à cota de atenção.

Na Bacia do Rio Uruguai os níveis têm se mantido elevados tanto nas partes Alta, Média e Baixa da bacia. Na calha principal do rio Uruguai e em rios afluentes, como os rios do Peixe e Canoas (SC), Ibirapuitã, Ibicuí e Santa Maria (RS), foram observadas elevações dos níveis, ultrapassando as cotas de alerta e inundação em alguns pontos monitorados, em resposta às chuvas do final de setembro. 

Atuação do SGB e Sistemas de Alerta Hidrológico (SAH)
O Serviço Geológico do Brasil é responsável pela operação de mais de 80% da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) e coordena 19 Sistemas de Alerta Hidrológico (SAHs) espalhados pelas principais bacias hidrográficas do país.

Por meio do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE), o SGB monitora continuamente as cotas dos rios, elabora modelos de previsão e emite alertas de cheias e secas para subsidiar governos, Defesa Civil e a sociedade na tomada de decisões estratégicas.

Os dados, gráficos de tendência e mapas dos rios monitorados em todo o território nacional podem ser consultados diretamente no portal https://sace.sgb.gov.br/.

O boletim é resultado de uma ação conjunta entre o Instituto Nacional de  Meteorologia (INMET), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência  Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a  Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).

Larissa Souza
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
imprensa@sgb.gov.br
 

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