Agrominerais: pesquisas discutem alternativas para aproveitar descartes de mineração no setor agrícola
Agrominerais: pesquisas discutem alternativas para aproveitar descartes de mineração no setor agrícola
Pesquisadora do SGB participou, nesta terça-feira (3/11), de debate sobre possibilidades, riscos e desafios do uso desses materiais durante o 52º Congresso Brasileiro de Geologia
Fortaleza (CE) – O aproveitamento agrícola de materiais descartados pela lavra de minerais metálicos foi um dos temas em destaque no terceiro dia do 52º Congresso Brasileiro de Geologia (CBG), nesta terça-feira (3/11), em Fortaleza. A pesquisadora do Serviço Geológico do Brasil (SGB) Magda Bergmann apresentou palestra sobre usos, benefícios e cuidados relacionados à aplicação de polpas e tortas de mineração (materiais que resultam do tratamento de minérios para extração de metais) no setor agrícola.
A palestra abordou questões relacionadas à caracterização e ao aproveitamento desses materiais e aos desafios para sua utilização, considerando os riscos e as condições necessárias para sua aplicação na agricultura. A discussão contribui para ampliar o debate sobre subprodutos e circularidade na mineração.
“Nós temos materiais que poderiam ter uso agrícola, desde que bem caracterizados e desde que sejam limpos de elementos potencialmente tóxicos, que hoje estão acumulados em barragens de descarte de mineração, em quantidades imensas, da ordem de milhões de toneladas. Muitos desses materiais já estão cominuídos dentro da granulometria especificada para remineralizadores”, explicou a pesquisadora Magda Bergmann.
Ainda na programação de agrominerais, a pesquisadora Simone Zwirtes apresentou o estudo “Influência da matriz microcristalina na disponibilização de potássio e silício durante o biointemperismo de rochas básicas do Grupo Serra Geral no Estado de São Paulo”. O trabalho investiga a disponibilização desses elementos em bioensaio agronômico com uso de rochas basálticas moídas.
SGB na programação científica do CBG
A programação do terceiro dia também contou com pesquisas sobre diferentes temas das geociências. Entre os estudos apresentados estão investigações sobre o potencial de ocorrência de minerais de terras raras em uma área do Pará, a formação de rochas e fósseis na Bacia Potiguar e a história geológica de rochas no Ceará.
Outros trabalhos buscaram explicar como a interação entre lavas basálticas e água pode ter contribuído para a formação das grandes cavidades posteriormente preenchidas que resultaram na formação de geodos de ametistas. Também foram apresentados estudos sobre a formação geológica de áreas do Ceará e do Piauí, a presença de fósseis que ajudam a compreender antigos ambientes da Terra e as características de rochas que podem influenciar a qualidade de materiais usados na construção civil.
A circularidade mineral também esteve entre os assuntos discutidos. A pesquisadora Ana Paula Justo apresentou trabalho sobre a aplicação desse conceito ao Arranjo Produtivo Local da Opala do Piauí e no distrito mineiro de Ametista do Sul, associado à consolidação do Arranjo Produtivo Local de pedras, gemas e joias do Rio Grande do Sul.
Nesta terça-feira, o SGB também participou da reunião do Fórum de Coordenadores dos Cursos de Geologia. Essa foi uma oportunidade para fortalecer o diálogo sobre a capacitação de profissionais, por meio do Programa de Residência de Iniciação Profissional em Geociências, e sobre a cooperação para troca de dados, por meio do GeoColab.
O SGB também participa do evento com atividades relacionadas ao SGBeduca e ao Museu de Ciências da Terra. Saiba mais.
Larissa Souza
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
imprensa@sgb.gov.br
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