3º Alerta de Cheias do Amazonas 2026: Com cotas de inundação já atingidas em Manaus e Manacapuru, SGB define previsões para o pico da cheia

29/05/2026 às 18h15
 | Atualizado em: 29/05/2026 às 19h30
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Análises indicam evento de baixa magnitude e probabilidade reduzida de evolução para inundação severa nos rios Negro e Solimões

Foto: Jean Hassah/SGB


Manaus (AM) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou, nesta sexta-feira (29/05), o 3º Alerta de Cheias do Amazonas de 2026. As projeções hidrológicas consolidadas para o pico da cheia confirmam que, embora o evento seja classificado como uma cheia de baixa magnitude, os níveis dos rios em Manaus e Manacapuru já ultrapassaram suas respectivas cotas de inundação. Para as estações de Itacoatiara e Parintins, os modelos indicam probabilidade inferior a 1% de atingimento desta cota de referência.

Os dados apresentados são fundamentais para o balizamento de ações de prevenção e mitigação, subsidiando o processo de tomada de decisão pelas Defesas Civis e gestores públicos nas áreas já potencialmente afetadas.

Prognóstico dos Níveis Máximos
As projeções foram geradas a partir de dados da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e de modelos hidrológicos do SGB. 
 

Estação Rio Intervalo provável (80%) Cota deinundação Probabilidade de inundação Cota de inundação severa Probabilidade de inundação severa
Manaus Negro 27,88 - 28,51 m 27,50 m Atingida 29 m 2%
Manacapuru Solimões 18,72 m - 19,24 m 18,20 m Atingida 19,60 m 1%
Itacoatiara Amazonas 13,49 m -13,77 m 14 m < 1% 14,20 m < 1 %
Paritins Amazonas 8,10 m - 8,25 m 8,43 m < 1% 9,30 m < 1 %



Análise por Estação


Manaus: O rio Negro já opera acima da cota de inundação (27,50 m). Contudo, a chance de atingir a cota de inundação severa (29 m), que causa transtornos significativos à infraestrutura urbana, é de apenas 2%. A probabilidade de superar o recorde histórico de 2021 (30,02 m) é inferior a 1%.

Manacapuru: O rio Solimões apresenta 80% de probabilidade de atingir a cota de 18,98m, já tendo ultrapassado a cota de inundação de 18,20 m. O cenário para a cota de inundação severa (19,60 m) e para a cota máxima histórica (20,86 m) permanece com chances abaixo de 1%.

Itacoatiara e Parintins: Em ambas as estações do rio Amazonas, a probabilidade de ocorrência de cenário de inundação é mínima. Em ambas estações, a probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação é inferior a 1%.


Contexto Hidrológico e Climático
O pesquisador Andre Martinelli (SUREG-MA) ressalta que, embora as águas tenham ocupado áreas de inundação em Manaus e Manacapuru, as marcas estão dentro da normalidade estatística. Entretanto, o monitoramento em Tabatinga (AM) indica a necessidade de atenção para o risco de estresse hídrico severo para o segundo semestre, com possibilidade de uma estiagem extrema, principalmente se a confirmação do fenômeno El Niño refletir em aumento da intensidade de descida das águas.

Com base na série histórica de amplitudes, entre pico de cheia e pico de estiagem, e nas projeções relacionadas ao pico de cheia 2026, foram apresentados dois cenários para a estiagem em Tabatinga e para Manaus: “Se considerarmos as amplitudes medianas, espera-se um nível de 1,42 m em Tabatinga e 16,89 m em Manaus. O que já são consideradas cotas baixas nestas localidades”, explicou Martinelli.

O cenário pode ser ainda pior, principalmente se a hipótese do El Niño intensificar as descidas dos níveis, então usou-se como referência as amplitudes do percentil 85. “Neste contexto, podem ser observados níveis de -42 cm em Tabatinga – configurando a quarta pior seca registrada – e 14,54 m em Manaus, alcançando o valor registrado em 1926, a oitava pior seca neste município”, destacou o pesquisador.

Foto: Jean Hassah/SGB

 

Articulação Institucional e Monitoramento
O diálogo entre o SGB, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e as Defesas Civis estadual e municipal segue intensificado. Dados em tempo real e mapas de risco estão disponíveis no Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).

Margarida Regueira
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.br

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