Mapeamento do SGB identifica 20 áreas de risco geológico em Picos (PI) e aponta mais de 9,9 mil pessoas expostas

28/05/2026 às 14h42
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Atualização do estudo registrou aumento no número de setores mapeados e ampliou a estimativa de domicílios em áreas de risco
 

Picos (PI) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) concluiu a atualização do mapeamento de áreas de risco geológico no município de Picos, no estado do Piauí. Os levantamentos de campo foram realizados entre janeiro e fevereiro deste ano e identificaram 20 setores de risco associados a processos de inundação, erosão, deslizamentos de terra e queda de blocos rochosos. Desse total, 18 áreas foram classificadas como de alto risco e duas como de muito alto risco. O relatório tem como objetivo subsidiar o poder público municipal com informações técnicas para apoiar ações de planejamento urbano, prevenção de desastres e comunicação de risco com a população.

As localidades classificadas como áreas de muito alto risco incluem os bairros Aerolândia e entorno e Catavento. Já os setores enquadrados como alto risco estão distribuídos nos bairros Belo Norte, Boa Vista, Bomba, Canto da Várzea, Catavento, Centro, DNER, Emaús, Ipueiras, Junco, Morada do Sol, Passagem das Pedras, Quilombo, Trizidela, Umari, além dos loteamentos Macambira, Samira e Umbuzeiro. 
Atualização do mapeamento

O trabalho atualiza o mapeamento realizado no município em 2019, quando foram identificadas sete áreas de risco geológico, sendo seis de alto risco e uma de muito alto risco. A nova atualização ampliou o número de setores mapeados e também a estimativa de domicílios e moradores expostos.

No levantamento anterior, os setores de alto risco reuniam cerca de 830 domicílios e aproximadamente 3.320 pessoas, enquanto a área de muito alto risco concentrava cerca de 200 domicílios e 800 moradores. No estudo atual, as áreas classificadas como de alto risco somam aproximadamente 2.701 domicílios, atingindo cerca de 8.720 pessoas. Já os setores de muito alto risco abrangem cerca de 302 domicílios e aproximadamente 1.208 moradores.

Durante os levantamentos de campo, os técnicos avaliaram características do relevo, das rochas e solos, além das condições de drenagem de águas e dos padrões de ocupação urbana. Segundo o relatório técnico, os riscos identificados resultam da combinação entre fatores naturais e intervenções humanas no território, especialmente a ocupação de áreas impróprias à urbanização.

Nos setores associados a quedas e deslizamentos, as áreas mapeadas estão em encostas íngremes, suscetíveis ao intemperismo, que é o desgaste das rochas. Cortes e aterros sem critérios técnicos, a retirada da vegetação e a ausência de drenagem adequada contribuem para a instabilidade dos solos, favorecendo processos como deslizamentos e quedas de blocos rochosos.

Já os processos relacionados à dinâmica hídrica ocorrem principalmente em planícies de inundação, fundos de vale e áreas naturalmente alagáveis. Nessas localidades, a proximidade com cursos d’água, associada à impermeabilização do solo urbano e a deficiências no sistema de drenagem, favorece a ocorrência de inundações e alagamentos recorrentes.

A iniciativa segue o planejamento anual do SGB, alinhado ao Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 do Governo Federal. O objetivo é expandir o mapeamento a todo o país, ajudando as prefeituras a tornarem suas cidades mais seguras contra as ameaças hidrometeorológicas e geológicas. Ao longo do período, novas municipalidades em todo o território nacional serão atendidas. O município também está contemplado pela parceria entre o SGB e a Secretaria Nacional de Periferias (SNP) do Ministério das Cidades no trabalho de elaboração de 20 novos Planos Municipais de Redução de Riscos (PMRR).

 
Prevenção e planejamento

Entre as recomendações do SGB para aumentar a segurança do município de Picos (PI) estão o fortalecimento da estrutura permanente da Defesa Civil municipal. O relatório também sugere estudos para melhoria do sistema de drenagem pluvial e de esgoto, além da instalação de sistemas de alerta para a população em áreas de risco.

“Outras medidas de prevenção incluem a manutenção periódica de canais e drenagens, a realização de vistorias preventivas nas áreas de risco e o desenvolvimento de programas de educação ambiental voltados às comunidades, com o objetivo de evitar a ocupação de áreas impróprias para construção”, apontam no relatório os pesquisadores em geociências José Milton de Oliveira Filho e Magno de Sá Freitas, autores do estudo.


Panorama do Piauí

O estado do Piauí possui 48 municípios mapeados pela Cartografia de Risco Geológico do SGB, totalizando 102 áreas de risco, sendo 12 delas de risco muito alto. São cerca de 28 mil domicílios nessas áreas, atingindo 48,8 mil pessoas. Picos é o terceiro município do estado em número de áreas de risco, atrás apenas de Teresina e Campo Maior.

Tariana Fernandes
Assessoria de Comunicação

Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.b

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