Serviço Geológico do Brasil conclui a expedição científica Procordilheira VI com novas descobertas
Serviço Geológico do Brasil conclui a expedição científica Procordilheira VI com novas descobertas
Em 29 dias de pesquisa, equipe ampliou a resolução dos dados geofísicos em três áreas-alvo e coletou amostras para investigar o potencial mineral e a biodiversidade da região
Fortaleza (CE) - O Serviço Geológico do Brasil (SGB) concluiu, no dia 8 de outubro, a Expedição Procordilheira VI na região da Cordilheira Meso-atlântica, em águas internacionais e nos limites do território nacional a norte do arquipélago São Pedro e São Paulo. Durante 29 dias, pesquisadores e colaboradores investigaram três áreas com potencial para atividade hidrotermal e formação de depósitos minerais.
Os dados preliminares identificaram anomalias de partículas em suspensão na água que podem indicar atividade hidrotermal. A confirmação depende de análises complementares.
A missão ocorreu a bordo do navio de pesquisa hidroceanográfico Vital de Oliveira (H-39), entre 9 de setembro e 8 de outubro. Os pesquisadores realizaram levantamentos geofísicos e oceanográficos, além de coletar amostras de água e sedimentos do fundo marinho. O material será analisado para aprofundar o conhecimento geológico e biológico das áreas investigadas e orientar estudos mais detalhados em futuras expedições.
Essa expedição faz parte do projeto Procordilheira – Prospecção de Sulfetos Polimetálicos Maciços na Cordilheira Mesoatlântica, vinculado ao Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (PROAREA). A iniciativa busca identificar e avaliar o potencial mineral com vistas à exploração de recursos minerais na área internacional.
Aumento da resolução dos dados levantados
A Procordilheira VI dá continuidade às pesquisas realizadas pelo SGB em 2012 e 2013. As campanhas anteriores contribuíram para o levantamento geofísico-geológico que cobriu 90 mil km² da Cordilheira Mesoatlântica, entre a linha do Equador e o paralelo 13°N.
Nesta nova etapa, o objetivo foi aprofundar os levantamentos em três áreas-alvo, com maior detalhamento dos dados geofísicos e das amostragens geológicas e oceanográficas. Foram adquiridos dados de batimetria, gravimetria e sísmica, além de medições de parâmetros físico-químicos da água, como condutividade, temperatura e pressão.
A estratégia permite caracterizar com mais detalhes os pontos amostrais geológicos e oceanográficos, bem como, o mapeamento de estruturas geológicas de interesse. Essas informações ajudam a direcionar as próximas etapas de investigação do potencial mineral da região.
Os levantamentos de sísmica rasa, combinados com os dados batimétricos, também permitiram identificar bacias sedimentares e orientar a definição das estações de amostragem geológica.
A testemunhagem geológica possibilitou a recuperação de até 3 metros de sedimentos que permitirão estudar milhões de anos da história deposicional da região. O estudo desses sedimentos buscará, principalmente, a identificação de minerais associados à atividade hidrotermal.
DNA ambiental e biodiversidade
A expedição também possibilitou a coleta de dados para o estudo da biodiversidade marinha por meio do DNA ambiental. Essa técnica não invasiva possibilita identificar os rastros biológicos que os seres vivos liberam no ambiente por meio de células e vestígios - como fezes, mucos e escamas. Assim, é possível identificar a presença ou o trânsito de espécies sem a necessidade de captura e avistamento dos animais.
Plataforma Continental Jurídica Brasileira
Na primeira etapa da expedição, no trajeto entre Rio de Janeiro e o Porto de Natal,a equipe adquiriu novos dados geofísicos, com ênfase no talude próximo à foz do rio Jequitinhonha, complementando os dados do projeto Jequitinhonha; e no talude do Rio Grande do Norte.
Equipe a bordo
Os dados adquiridos possibilitarão estudos em detalhe por parte de todas as instituições envolvidas, contribuindo, além do avanço do conhecimento esperado, para a qualificação de estudantes de graduação e pós-graduação.
Pelo SGB, participam os oceanógrafos Vadim Harlamov, Márcio Martins Valle e Roberto Aguiar Alves; os geólogos Patrícia Reis Alencar Oliveira, Mauro Lisboa Souza, Michel Macedo Meira, Ronaldo Gomes Bezerra, Oderson Antônio de Souza Filho e Edlene Pereira da Silva; e o geofísico Victor Hugo Rocha Lopes.
Representando a Petrobras e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), participaram as biólogas Aline Horodesky e Juliana de Biasi. A Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi representada pelo oceanógrafo Arthur Antônio Machado e pelos estagiários do SGB João Hurst e Eline Araújo.
Pela Universidade Federal Fluminense (UFF), estiveram a bordo os geofísicos Arthur Ayres Neto e Leonardo Miquelutti, as geólogas Raissa Tayt-Sohn e Ana Paula Fetter e a estagiária do SGB Beatriz Coelho.
Também participaram a química Gabriela Hurtado, o geógrafo Paulo Pessoa e o oceanógrafo Diogo Chernieski, vinculados à Universidade Estadual Paulista (Unesp) e à Universidade Estadual do Ceará (UECE); a oceanógrafa Luciana Macedo e a estudante Thamara Moreira, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG); a bióloga Mayza Pompeu e o estudante Vinicius Barbosa, vinculados à Universidade de São Paulo (USP) e a geóloga Laura Beatriz de Souza Fernandes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
As atividades de pesquisa a bordo do navio hidroceanográfico Vital de Oliveira foram realizadas no âmbito do acordo de cooperação entre a Marinha do Brasil, o Serviço Geológico do Brasil, a Petrobras e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil (SGB)
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