Mais de 6 mil pessoas vivem em áreas de risco geológico e hidrológico em Goiânia

11/02/2026 às 13h55
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Audiência pública apresenta diagnóstico inédito do SGB sobre áreas de risco em Goiânia e aponta caminhos para reduzir desastres no município

Foto: Ana Lúcia Ferreira/SGB


Goiânia  (GO) - A cidade cresce, os bairros se expandem e, muitas vezes, o solo silenciosamente dá sinais de esgotamento. Em Goiânia, esse alerta já tem números, mapas e rostos. São milhares de pessoas vivendo em áreas onde a terra cede, a água avança e o risco se repete a cada período chuvoso. Tornar essa realidade visível e debatê-la com a sociedade  é o objetivo da Audiência Pública do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), realizada nesta quarta-feira (11/02), no Auditório Jaime Câmara, na Câmara Municipal.

O evento, promovido pelo Governo Federal, por meio do Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades (SPN/MCID), marca a apresentação pública dos resultados de um dos mais abrangentes levantamentos já realizados sobre riscos geológicos e hidrológicos na capital goiana, com apoio da Defesa Civil Municipal.

Por meio de participação em vídeo, o secretário Nacional de Periferias do MCid, Guilherme Simões, enfatizou a missão do departamento. “A prevenção de riscos não é uma questão de engenharia, é uma questão de justiça social. Por isso, a SNP viabilizou os recursos financeiros e as articulações necessárias para a elaboração deste PMRR”, disse.

O estudo técnico conduzido pelo SGB identificou 120 setores de risco em Goiânia, todos localizados na zona urbana. Desse total, 44 áreas foram classificadas como risco muito alto, 49 como risco alto e 27 como risco médio, revelando a dimensão do desafio enfrentado pelo município.

Foto: Divulgação/SGB

Mais do que números, o diagnóstico aponta impactos diretos na vida da população. Estima-se que 6.464 pessoas residem atualmente em áreas de risco, sendo mais de 2.304 em setores de risco muito alto, 2.152 em risco alto e 2.008 em risco médio. Os processos mapeados incluem inundações, enxurradas, erosão de margens fluviais, ravinas, voçorocas e deslizamentos, distribuídos por bairros como Jardim Novo Mundo, Jardim América, Vila Romana, Setor Bueno, Campinas, Urias Magalhães, Perim, Conjunto Caiçara, Parque Amazônia, Setor Aeroporto, entre outros.

Segundo o SGB, os riscos estão diretamente associados à ocupação desordenada do solo urbano, à impermeabilização excessiva, à deficiência dos sistemas de drenagem e a intervenções realizadas sem critérios geotécnicos adequados, agravadas por eventos de chuva cada vez mais intensos e concentrados.

“O PMRR é uma ferramenta estratégica para que o município conheça seus riscos de forma técnica e possa agir antes que eles se transformem em tragédias. O papel do SGB é oferecer esse diagnóstico com base científica, para orientar decisões e salvar vidas”, destaca Tiago Antonelli, pesquisador e chefe da Divisão de Geologia Aplicada do SGB.

Entre as principais recomendações do plano estão o fortalecimento institucional da Defesa Civil Municipal, com equipe técnica permanente, a implementação de planos de contingência, sistemas de alerta e evacuação, além do monitoramento contínuo das áreas críticas. O estudo também aponta sugestões de intervenção estrutural para estabilizar todas as áreas de risco alto e muito alto mapeadas no município.

“A audiência pública é um momento essencial para compartilhar informações, ouvir a sociedade e alinhar ações entre poder público e população. A prevenção só é efetiva quando construída de forma coletiva”, afirma Robledo Mendonça de Farias, da Defesa Civil Municipal.

Metodologia

A metodologia aplicada pelo SGB envolveu análise bibliográfica, fotointerpretação, trabalhos de campo integrados com a Defesa Civil, delimitação e classificação das áreas de risco, garantindo rigor técnico e validação dos resultados. Os critérios consideraram tanto fatores naturais, como relevo e drenagem, quanto aspectos antrópicos, como padrão de ocupação urbana e infraestrutura existente.

Ao abrir os dados à sociedade, a audiência pública do PMRR reforça que reduzir riscos é também planejar o futuro da cidade, integrando políticas de urbanismo, habitação, meio ambiente e defesa civil.

“Investir em prevenção é investir em desenvolvimento urbano seguro e sustentável. Cada área mapeada representa uma oportunidade de agir antes do desastre”, conclui Luiz Belino, assessor técnico da SPN.

 

Ana Lúcia Ferreira
Núcleo de Comunicação

Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
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