Monitoramento de pré-seca na Amazônia em 2026 ganha reforço e alerta do SGB

Monitoramento de pré-seca na Amazônia em 2026 ganha reforço e alerta do SGB

26/06/2026 às 17h02
 | Atualizado em: 26/06/2026 às 17h22
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Análise preventiva do Serviço Geológico do Brasil avalia comportamento das cheias, condições atuais e projeções de vazante para subsidiar a gestão de riscos hídricos


 

Brasília (DF) – A antecipação de cenários hidroclimatológicos severos desempenha uma função estratégica na mitigação de impactos socioeconômicos e na manutenção da segurança logística e ambiental na Região Amazônica. Com o objetivo de aprimorar o planejamento e a preparação para o período de estiagem, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) consolidou o diagnóstico técnico do comportamento das águas em 2026 e traçou as projeções para a vazante deste ano.
 
Dados do acompanhamento contínuo da Bacia do Amazonas mostram que as cheias operam na normalidade na maior parte da região. No entanto, o comportamento recente de sub-bacias específicas e as semelhanças estatísticas com períodos históricos críticos acendem o sinal de alerta para as autoridades e a sociedade civil.
Acompanhamento em tempo real via Plataforma SACE

As análises do SGB são operacionalizadas por meio do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) e disponibilizadas em tempo real na plataforma SACE. O sistema categoriza as condições dos rios em níveis que variam desde a normalidade até a seca extrema e a inundação severa, servindo como base científica para tomada de decisões governamentais em estados como Amazonas, Rondônia e Acre.
 

Para o ciclo operacional de 2026, novas tecnologias foram incorporadas. A partir de julho, passam a ser realizados os testes operacionais dos boletins semanais SARDIM (em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - IPH/UFRGS), além da implementação de modelos preditivos baseados em Inteligência Artificial, desenvolvidos em cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A unificação dessas ferramentas provê maior celeridade ao fluxo de informações e otimiza o planejamento.
Diagnóstico da condição hidrológica atual
Os registros apontam que a Bacia do Amazonas encontra-se em um período de transição, com o encerramento do pico da cheia nas calhas centrais e o início do processo de recessão nas cabeceiras:
 
●     Rio Solimões/Amazonas: A estação de Tabatinga já deu início ao processo de descida de suas cotas. No entanto, o reflexo do pico ainda mantém duas estações acima do nível de inundação e quatro em cota de alerta ao longo do curso d'água.
●       Rios Negro e Branco: Em Manaus, o Rio Negro atingiu a estabilização em torno de 28,50 m, alcançando a cota de inundação. Paralelamente, a bacia do Rio Branco registrou acumulados significativos de chuva (88 mm entre segunda e terça-feira da última semana), o que amenizou o ritmo de queda em Caracaraí.
●       Rios Madeira e Acre: Permanecem como os cenários de maior vulnerabilidade. O volume elevado do primeiro trimestre resultou em decretos de situação de emergência em municípios como Porto Velho em abril de 2026.


Prognósticos e Cenários Comparativos de Vazante

A partir do histórico de dados coletados pelo SGB entre os anos de 1903 e 2025, foram elaboradas projeções estatísticas para estimar os níveis mínimos que o Rio Negro poderá atingir em Manaus a partir da cota máxima atual de 28,50 m, considerando a descida mediana histórica de 11,08 m:

Cenário de Recessão Projetado

Amplitude da Descida (m)

Cota Mínima Estimada (m)
Descida Mediana Histórica 11,08 17,42
Tendência Linear de Vazante 12,01 16,49
Análogo Crítico de Recessão (Ano 2015) 13,74
 
14,76
Percentil de 85% (Estiagem Severa) 14,54 13,96
Descida Máxima Histórica Registrada 15,60 12,90


O ponto de maior atenção técnica reside no fato de que o comportamento inicial da curva de recessão de 2026 apresenta forte paralelismo com a do ano de 2023, período em que ocorreu a segunda pior seca registrada na história de Manaus (atingindo a cota mínima de 12,70 m). Embora os modelos climáticos sazonais para os trimestres JJA (Junho-Julho-Agosto) e JAS (Julho-Agosto-Setembro) ainda não apontem para a severidade extrema de 2023, o SGB mantém o estado de monitoramento contínuo.


Diretrizes e impactos esperados

A consolidação dos dados reforça a necessidade de preparação ativa das defesas civis e setores regulados. Caso o início da próxima estação chuvosa atrase no Hemisfério Sul, o período de vazante poderá ser prolongado, agravando as seguintes vulnerabilidades operacionais:
 
●       Navegação Comercial: Restrições severas de calado para o escoamento logístico e transporte de insumos, com atenção especial à calha do Rio Madeira.
●       Abastecimento Público: Risco potencial de isolamento de comunidades ribeirinhas e escassez de captação de água potável.
●       Gestão Ambiental: Aumento substancial do risco de incêndios florestais em áreas severamente desidratadas ao longo da bacia.
 
Com a estruturação dessas notas informativas e boletins, o Serviço Geológico do Brasil reafirma seu compromisso em subsidiar órgãos gestores e instituições de pesquisa com informações científicas robustas, fortalecendo a autoridade técnica da rede de monitoramento nacional.

 

Margarida Regueira
Assessoria de Comunicação

Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
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