Introdução

A modelagem geológica 3D do Serviço Geológico do Brasil (SGB) integra diferentes conjuntos de dados — como sondagens, mapas geológicos, seções e informações geofísicas — para representar, de forma tridimensional, a arquitetura do subsolo. Esses modelos permitem uma melhor compreensão da distribuição e geometria das unidades geológicas, apoiando estudos científicos, planejamento territorial e a gestão de recursos naturais.

Esta iniciativa está em constante evolução e tem como objetivo gerar e disponibilizar modelos 3D de regiões e objetos geológicos de grande relevância para a comunidade geocientífica e para a sociedade.

Os modelos 3D do SGB estão disponíveis em formatos compatíveis com diversos softwares de modelagem e visualização, sendo adequados para subsidiar análises geológicas estratégicas, além de atender ao público em geral. Também são oferecidas outras formas de visualização, como vídeos, modelos interativos e visualizadores web. Os modelos também estão disponíveis para visualização na plataforma Geo3D, desenvolvida pelo Polish Geological Institute (PGI) – National Research Institute (Instituto Geológico Polonês – Instituto Nacional de Pesquisa), uma biblioteca global de visualização de modelos 3D, fruto de parceria com o Serviço Geológico da Polônia, que permite a exploração interativa da geologia em subsuperfície.

Os modelos desenvolvidos abrangem desde escalas de depósitos minerais até escalas regionais. Nessas diferentes escalas, podem ser utilizados pelo SGB, por universidades e pela comunidade em geral para ampliar o entendimento em uma ampla gama de aplicações nas geociências, até a avaliação de potenciais e recursos naturais — como armazenamento de CO₂, energia geotérmica e recursos minerais e energéticos —, além de aplicações em estudos do meio físico, incluindo contextos hidrogeológicos e geotécnicos.

Para explorar os modelos 3D presentes em nossa biblioteca, navegue pelo mapa interativo a seguir ou selecione os modelos na lista suspensa logo abaixo, com acesso a diferentes níveis de detalhe, bem como a links para visualização e download.

O modelo geológico tridimensional da Sub-bacia Urucuia foi construído no software Leapfrog, utilizando dados de seis (6) poços da ANP, setenta e dois (72) poços da rede RIMAS e seiscentos e quarenta e cinco (645) poços cadastrados na rede SIAGAS, resultando em um total de setecentos e vinte e três (723) poços. Além disso, foram utilizadas interpretações de perfis sísmicos, gravimétricos, magnetotelúricos e de eletrorresistividade.

A partir das interpretações realizadas em cada uma das seções, juntamente com as informações dos furos mais profundos, foi possível modelar a superfície de topo do embasamento paleoproterozoico em diferentes regiões da bacia. A geração da superfície permitiu a obtenção do sólido 3D do embasamento, o qual em seguida foi compartimentado pelas grandes estruturas identificadas nas seções geofísicas. O conjunto de quinze (15) falhas modeladas, juntamente com a obtenção do sólido 3D do embasamento resultou na construção do arcabouço estrutural da bacia, o qual condicionou a deposição dos estratos sobrepostos que compõem os grupos Bambuí, Areado e Urucuia.

O modelo gerado permitiu a visualização e o entendimento da distribuição espacial e a continuidade de cada uma das unidades modeladas. De modo geral, é possível observar um aprofundamento do topo do embasamento no sentido oeste, o que coincide com as zonas de maior espessura da Sub-bacia Urucuia e, respectivamente, do aquífero Urucuia.

A modelagem estrutural 3D da Sub-bacia Urucuia deverá servir como a base para estudos futuros de fluxo d’água, na identificação de barreiras hidráulicas, além de modelagens numéricas de recarga e reserva do aquífero.

Acesse o banco de dados em GeoSGB e, abaixo, explore os visualizadores 3D e o vídeo demonstrativo.

 

Vídeo

 

Visualizadores WEB

Visualizadores em ambiente tridimensional via WEB. Imersão na geologia de subsuperfície de forma dinâmica com ferramentas de rotação, zoom e slices interativas.

Visualizador WEB da Seequent
Visualizador WEB criado pelo Serviço Geológico Polonês

Este estudo buscou elaborar um modelo geológico regional tridimensional da mega estrutura tectônica Arco de Ponta Grossa (APG). Abrangendo toda a crosta (superior, intermediária e inferior), desde a superfície e até a descontinuidade de Mohorovicic-MOHO (limites entre manto litosférico e crosta), a fim de criar um método para fluxos de trabalho na elaboração de modelos 3D, com dados espaciais em múltiplas escalas.

O modelo foi confeccionado no software Leapfrog Geo e utilizou-se da cartografia geológica pré-existentes (seções/mapas), de sondagens de poços, de levantamentos geofísicos (tomografia sísmica, magnetotelúricos e gravimetria) e do modelo crustal global (Crust 1.0).

Ao final, foi possível caracterizar a subsuperfície da área de estudo gerando os modelos de oito domínios geológicos: os terrenos Apiaí, Embu, Curitiba, Luís Alves e Paranaguá, o bloco Paranapanema, a Bacia do Paraná e a Província Ígnea Paraná-Etendeka. Conseguiu-se a subdivisão em níveis crustais (crosta superior, intermediária e inferior) e avaliando seu comportamento com os principais lineamentos: i) Rio Piquiri ao sul; ii) a charneira principal do Arco de Ponta Grossa (APG) entre os lineamentos Rio Alonzo e São Jerônimo-Curiúva, na parte central onde ocorre a maior concentração do enxame de diques; e iii) lineamento Guapiara ao norte, com menor concentração do enxame de diques.

Como resultado da modelagem observa-se que a configuração atual da megaestrutura tectônica APG relaciona-se aos processos de níveis crustais mais profundos da crosta continental. A profundidade média estimada para cota de Moho através de diferentes escalas e métodos, confirma a vergência regional em direção SE para NW com valores escalonados de -39.21 km a -34.29 km entre os domínios geológicos delineados.

O método magnetotelúrico apresentou resultados positivos na delimitação do Bloco Paranapanema com o Terreno Apiaí, localizado abaixo da Bacia do Paraná, mesmo com a existência de extensos derrames basálticos, o que dificulta a utilização de métodos sísmicos.

Acesse o banco de dados em GeoSGB e, abaixo, explore os visualizadores 3D e o vídeo demonstrativo.

 

Vídeo

 

Visualizadores WEB

Visualizadores em ambiente tridimensional via WEB. Imersão na geologia de subsuperfície de forma dinâmica com ferramentas de rotação, zoom e slices interativas.

Superfícies das descontinuidades
Modelo geológico dos 8 domínios pelo método ID
Modelo geológico dos 8 domínios pelo método ID
Superfícies método ID e pontos originais